sexta-feira, 1 de abril de 2011

Essa dor que eu sinto agora

Essa dor que eu sinto agora...

De quando tomo o assento que me cabe na condução

De quando a quadra e o lote orientam meu esquife

Sei lá o que dor é essa que sinto!


Com os olhos e os pés e o nariz e a boca

A única dor que sinto é que não sinto dor alguma

Minh'alma é que dói!


E nada disso me faz atentar em não seguir viagem

Na festa os convivas congregam sobre nós

Com vênias sisudas e lágrimas de velas

Com trajes em cujas cores lhes furtam

Essa dor que eu sinto agora.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Especulações acerca do verbo homem na palavra de Drummond

Que é isso, dura chaga, de quem fala pelos outros?
E se os homens fossem nuvens em tais versos repartidos?

Quem é páreo, quem é pária, quem é pura, quem pariu?
Quem é puto, quem ampara, quem amputa, quem prepara?

quem ouviu
a canção
que adormeçe
todo homem?
Isso é música
ou será
geo-grafia?

"Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho?"

A partir de agora esse aí que se ex-vai à cova é um homem.
De passagem, arvora e incita o ranger de ônibus e dentes.
Ecce homo - omnibus!
abunda - abunda!
Esse homem - homa!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Poema de Jamesson Buarque

Poema ascético que Jamesson Buarque escreveu mas é meu - como nunca mais serei
Os incorrigíveis devem visitar http://www.jamessonbuarque.blogspot.com/, como todo crente deve ir à meca!:

Com o pó das dores de meu povo
nas dores de meus pelos
pelo calendário que meu
É a história da gente toda
Das cidades das roças e das matas
Eu outonia alguns amores
Ou esta ausência de unhas
E um peso de ser solidão
Depois das covas dos cemitérios
Visitados entre os livros
Nestes olhos apenas vidro
morto entre meus dedos
Como fosse possível algum exílio

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Umas filosofias

Quando olho rodoviárias penso no viajante e só!
"De repente, todos nós, por obrigação, ansiamos
Uma vez, noutro mundo, sob tempestuosidades
Ainda que, por sobrepassos, no entanto e quase
Sob as penas, mesmo hesitantes, amedrontados
E convictos, o saber em riste, tenazes em mente
Com avidez, com cheio de dedos, ar incontinenti
Destituídos de pudor que controle toda a ordem
Arrazoando a um infinito absoluto inconsistente
Ignorando a salvaguarda de direitos de retornar
Ao acaso, puro à esmo, a torto e a direito, ao léo
Ansiamos, por obrigação, nós todos, de repente."
olho quando penso naquele que vai ao cemitério!

sábado, 14 de agosto de 2010

Poema infanticida II - Freud

Todo mundo sabe mesmo
É morrer
De medo
O que ninguém sabe mesmo é morrer
De erro
Eu remedo
É meu remédio
Sou médio e creio
Medíocre sou
Os remendos de renda
De mim
mendigam
digam-me
gamam-me Id
em memória
de minh'alma
A minha memória de mim
Ama:
é morrer
de erro
Amaro-me tanto à mão
M(e)( )ato-me (n)a( )marra
Tomo a rota, remo, meu sêmen em ti
se(-)men(-)te
Manto ma(u)( )terno sente mente
Morreremos somente
erraremos só(s) por caminhos
Macarronearemos pontes
Por mais erros, medos, eras
Camas e ninhos - meros
Mercadeiros precários - eros
Hão de estar
Indo a(r)rumo a mim
a men
te

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Etiqueta em despedidas

Há que se haja um novo olhar que se veja velho
E de olhar outros olhares tão velhos ensejando novos

É como genuíno visitar-se cemitérios
Gene de cemitério é o visitante que decide a hora de partir

É como por necessidade rondar rodoviárias
transeunte de bagagens é ironia de chãos autóctones

De cemitérios e rodoviárias nos despedimos
Com olhares irônicos de quem parte
Tão velhos, tão novos
Irônicos autóctones

[Como uma vez já dissera:
"A saudade são cidadãos voláteis"]