quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

VIVER DÓI!

Se-
quer
doer
que
se doe!

sábado, 12 de agosto de 2017

QUANDO SOOU O SINO, FOI COMO UM SINAL

            Deu a louca no hospício e a cidade sitiou-se para seus pares conviverem-se. As praças se encheram dos passos passageiros, a liberdade voava. Nas igrejas, todos foram justos e nos cemitérios, santos. Nas escolas, havia dúvidas, perguntas respondidas com mais perguntas, livros reescritos depois lidos e deslidos, repercutiu-se aprender, só se ensinava nos recreios e feriados.
        Prefeitos, vereadores, síndicos e diretores eram nomes, mas os convivas se serviam, alimentando-se do que se plantou, se plantavam, dando a terra semente sã, dos seus corpos, quando carecia. Ninguém se desculpava por ser igual, nem se punia os diferentes; a diferença engendrou a igualdade, por isso as medidas desluziram.
             O meu amor não era mais meu nem mal; era amor, aliás, nem era, mas agora é. Com os braços abertos chegava e o peito cheio, partia. Tantas idas e vindas, que a saudade era só saudade. O beijo era gratuito e trocava substâncias, como também as mãos se massageavam no cumprimento, desarmavam-se no aperto. Por isso, passou a haver braços nos abraços, na estranha metamorfose de corpos juntos, sendo um, porém, quando se separavam depois, estavam maiores.

               Ao dormir, ninguém mais sonhava.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

COMO SE FOSSE DE FIM DE MUNDO


Nem adiantou prevenir-se tanto,
não é mesmo?
A estabilidade definiu-se no terremoto
O que se pensava tão raro
Rarefez-se

Os planos foram um a um se avolumando
Pontuais, não eram retas
ziguezagueando sem objetivas

A palavra precisa pedra padronizada
por ela própria, agora é somente ela
palavra
pura em pó e soprada
Evento
E eu rio

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DO IMPERATIVO ÁS CONJUNÇÕES



Não se precipite
Deixe ele preço insípido por si
De per si instância se apreciar
Se a prece
No entanto

Se lance na atitude
Sorva a seiva sem vaidade e vai
Se ver na vida só verdade e você
Sê mente
A de mais

Adicione todo o antigo
Antagonize até a ânsia – ator doa a dor
Anciã de tão dada ao gozo a negacear
Se garante
A final

Ame-se assim na amarra
Só se morre uma vez nessa vida
Some o verso e o sussurro se derrama
Semi estéril
Toda via

sábado, 12 de novembro de 2016

COM QUE FIM SE VAI?



O pior par para passar a primavera na praia
Ainda haverá in(con)sistências no acaso?
Me responda, você.

E se for dessa vida única
de onde se deve absorver
energia que se segue até seu fim?

Acro-bacias que acompanham o que acredita
Desde que apagaram a primeira luz, se ascende?
Me responda, você.

E se por essa via úmida
se ande e se eleve ao sol se ver
Todavia que se cegue até seu fim?

Reta ida troncha de adeus!
Ademais a-teus!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

METRÔNOMO E BÚSSOLA

No chão a base
fixa
a terra gira por sob
a água
canta
o metal oscila na
gravidade
dança

Achar-se deve ser
isso


terça-feira, 20 de setembro de 2016

ELES DISSERAM: O ELOGIO DAS ARMAS INIMIGAS


- Mas, e agora, triunfamos? Ou ainda não?
Já lhes tiramos tudo o que têm, depois de vencê-los pela força; 
depois silenciamos seu grito, de dor ou de protestos e o escárnio
E mais ainda, suprimimos seu direito à memória da perda
Se a vitória ainda não for o dispositivo de reprimir ataques.
E mais, que qualquer ataque se assimile travestido de elogio
E que retroalimente o autômato que criamos para subjugá-los.

Mesmo que agora anseiam pelo "direito" à opressão;
Que perfilam e amontoam-se na disputa pelo bastão que abate;
E se medem, e se oprimem, na hierarquia que multiplica a dor em cor;
Só há mais uma misericórdia de golpe que consolida:
Vem, comecemos o triunfal recrutamento;
Façamos com que lutem por sua própria ignorância!
E que seja com a soberba, com o deboche e o sarcasmo.